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quinta-feira, 17 de março de 2011

EUA voltam a descumprir acordo do algodão


Os Estados Unidos atrasaram o cumprimento dos compromissos assumidos com o Brasil no acordo do algodão. Por exemplo, o início da consulta pública sobre a abertura do mercado americano para a importação da carne bovina nacional deveria ter ocorrido até o dia 31 de janeiro, mas vem sendo adiado. A questão era uma das compensações estabelecidas pelos EUA para que o Brasil adiasse a retaliação que faria ao país até 2012 na questão do algodão. O assunto pode ser discutido na visita do presidente americano, Barack Obama, neste fim de semana. 

Em 2003, o Brasil abriu um processo na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra os EUA, alegando que os produtores de algodão americanos estavam recebendo ajuda financeira do governo. Segundo o argumento brasileiro, o subsídio fazia com que os agricultores produzissem mais, sem gastar tanto, o que provocava distorções nos preços dos produtos no mercado internacional, prejudicando os produtores brasileiros. 

A organização condenou os EUA a retirar o apoio, mas como isso não aconteceu, a OMC autorizou o Brasil a usar o direito de retaliação. Esse mecanismo funciona como uma forma de fazer pressão ao governo de determinado país que não aceita seguir as decisões estipuladas pelo órgão. Assim, o Brasil elevou as tarifas de importação para produtos americanos.

O governo brasileiro concordou em suspender a retaliação até 2012, depois que os EUA ofereceram algumas compensações. Entre elas, estava a abertura do mercado americano para as carnes brasileiras. Atualmente, a situação está praticamente concluída para a carne suína, mas não avançou para a carne bovina.

A última reunião sobre o acordo do algodão ocorreu no início de março em Brasília, quando os negociadores brasileiros fizeram perguntas sobre o impasse na carne bovina. Os americanos, no entanto, não deram nenhum prazo para cumprir a proposta. Segundo o embaixador do Brasil em Genebra, Roberto Azevedo, a liberação do mercado americano para a carne bovina nacional está sendo negociada desde 1999.

- É tempo demais e esperamos a cooperação das autoridades americanas. 

Acordo do algodão

Em junho do ano passado, o governo brasileiro aprovou um projeto de lei que permite que o Brasil aplique sanções autorizadas pela OMC contra os EUA. A medida tornava possível a suspensão de obrigações decorrentes do Acordo sobre Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio.

Em dezembro do ano passado, no entanto, os dois países chegaram a um acordo que adiava a retaliação até 2012. O governo americano se comprometeu a fazer modificações imediatas nos programas de subsídios, além de criar um fundo de compensação para o Brasil, enquanto o apoio aos agricultores continuar. O plano é de que o Congresso dos EUA reveja a Lei Agrícola e a questão tenha uma solução definitiva.



Fonte: R7

Muito além do Bahrein


A escalada da repressão no Bahrein é ainda mais relevante por suas implicações no mundo árabe, para além das próprias fronteiras e do esforço de mais um regime autoritário para reprimir manifestações populares.

Pela primeira vez desde que a tempestade de protestos se abateu sobre o norte da África e o golfo Pérsico, há três meses, entram em cena dois ingredientes com potencial para levar a região a um novo -e mais alto- patamar de tensão.

O primeiro é a interferência da Arábia Saudita. Ainda que a pedido da monarquia bareinita e sob os auspícios do Conselho de Cooperação do Golfo, organização multilateral da região, introduz uma temerária internacionalização do conflito.

O segundo ingrediente perturbador tem fundo religioso, o choque entre as duas vertentes principais do islã (sunitas e xiitas). Da Tunísia ao Egito e do Iêmen à Líbia, os protestos vocalizavam demandas políticas e sociais, e não religiosas.

De maioria sunita, a Arábia Saudita enviou 1.200 homens para reforçar a repressão aos protestos no Bahrein. Estes são protagonizados por xiitas, que perfazem dois terços da população nativa.

Outros 800 homens de países vizinhos integram a legião interventora. O poderio de repressão, assim reforçado, se fez sentir ontem na retomada da praça da Pérola, foco de manifestações que, por dois meses já, buscam reeditar o clamor da praça Tahrir do Cairo.

O emprego de tropas estrangeiras na repressão aos xiitas provocou reações exaltadas de países onde essa denominação do islã é majoritária, como Irã e Iraque. Em cenário ainda distante, mas não de todo implausível, a autocracia de Mahmoud Ahmadinejad pode alegar o duvidoso dever iraniano de sair em defesa dos xiitas ora oprimidos no Bahrein.

Os EUA ainda hesitam sobre o melhor caminho a seguir. Manifestaram ontem repúdio à nova onda de violência; antes, inteirados do envio de tropas, não haviam levantado obstáculo. A Arábia Saudita é sua maior aliada na região, e o Bahrein, base de sua estratégica Quinta Frota.

O pior cenário para o surpreendente despertar árabe seria uma onda de violência sectária na região, que poderia realimentar a tensão geopolítica subjacente e emperrar a caminhada dessa parte do mundo rumo a sociedades mais livres.




Fonte: Folha de Sao Paulo

Possibilidade de cooperação para a construção de satélite: Patriota diz crer em acordo na área espacial


O chanceler Antonio Patriota afirmou ontem que o Itamaraty está apostando fortemente em um acordo de cooperação no setor espacial com os Estados Unidos, que deve ser anunciado na visita do presidente Barack Obama ao país. Essa área já foi motivo de atrito e desentendimentos, especialmente no que concerne à falta de aprovação de um acordo de salvaguardas para o uso da base de lançamento de Alcântara e à tentativa brasileira de obter tecnologia para o lançamento próprio de satélites por foguetes.
 

Ainda não há detalhes sobre o acordo. Sabe-se que há a possibilidade de cooperação para a construção de um satélite de monitoramento de precipitações, o GPM (sigla em inglês para Medida de Precipitação Global):

- Queremos dar o maior conteúdo possível à visita, construindo sobre uma base que já é muito ampla nas relações comerciais, no diálogo político, em programas de dimensão social, com ênfase especial em áreas estratégicas de ciência e tecnologia - disse Patriota, em entrevista ao lado do presidente do Uruguai, José Alberto Mujica, após encontro empresarial Brasil-Uruguai na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).
- E gostaríamos de enfatizar a cooperação especial na área espacial.


Fonte: O Globo




Acordo deve garantir verba para satélite

O compromisso dos governos do Brasil e dos Estados Unidos em assegurar as verbas para o programa conjunto de satélites é um dos resultados mais esperados pelo setor de ciência e tecnologia do governo brasileiro, com a visita do presidente Barack Obama, ao Brasil. Os cortes nos orçamentos do Brasil e dos Estados Unidos ameaçam adiar o programa, que prevê o lançamento conjunto de um satélite na órbita equatorial, para medir dados capazes de auxiliar a prevenção de desastres naturais. Os dois governos estudam minuta de memorando que garantirá as verbas para o satélite.

O acordo preservaria dotações para a agência espacial brasileira e para a Nasa, a agência espacial americana, de modo a evitar adiamento no programa de lançamento do satélite, que recolhe informações sobre chuvas e outros dados meteorológicos capazes de aperfeiçoar as previsões de secas e enchentes. Os EUA têm acordos semelhantes ao que mantêm com o Brasil firmados com países como a Alemanha e a França.

Os acordos na área de ciência e inovação devem ser um dos capítulos mais importantes da visita de Obama, segundo os responsáveis por sua organização. Se todos os textos em negociação forem aprovados a tempo para anúncio durante a visita, a apreciação de pedidos de patentes no Brasil passará a se beneficiar de informações sobre os processos de patentes dos Estados Unidos, e certificados exigidos para aprovação de normas técnicas passarão a valer nos dois países. O tema também terá destaque nos pronunciamentos públicos dos dois presidentes.



Fonte: Valor Online

EUA vão absorver maior parte do pré-sal


Principal destino das exportações brasileiras de petróleo, os EUA não negociam um acordo formal de suprimento do produto a longo prazo com a Petrobras, mas o país absorverá provavelmente a maior parte do óleo a ser produzido no pré-sal, afirmou à Folha o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

Segundo o executivo, os EUA já recebem de 55% a 60% do petróleo exportado pela Petrobras -cujo volume médio, em 2010, chegou a 500 mil barris/dia.

Para Costa, o país é um "mercado natural" para o óleo brasileiro, pois a Petrobras consegue colocar o produto lá a um custo mais competitivo. Isso porque, diz, o frete é mais barato do que para outros grandes mercados de exportação da estatal, como o chinês e o indiano.

Indagado se há tratativas entre a empresa e os EUA para firmar um acordo similar ao fechado com a China para fornecimento de óleo, Costa disse que não há negociações em curso nesse sentido.

Em 2009, os chineses acordaram com a empresa um empréstimo de US$ 10 bilhões de seu banco de fomento em troca da garantia de suprimento de óleo do pré-sal no longo prazo, numa modalidade inédita de financiamento feita pela Petrobras.


 
HORIZONTE PROMISSOR

Apesar da ausência de acordo, Costa vê horizonte promissor para as exportações brasileiras de óleo para os EUA. "Eles já são nosso principal mercado, e as exportações para o país tendem a aumentar, ao passo que a produção brasileira vai crescer com o pré-sal e gerar mais excedente a ser exportado."

O governo dos EUA tem manifestado interesse em ampliar importações do Brasil como forma de reduzir, no futuro, a dependência do óleo de países árabes e do Oriente Médio, mais sujeitos a instabilidades políticas.

O Brasil, porém, tem ainda capacidade limitada de exportações. A situação poderá mudar quando a produção do pré-sal ganhar ritmo. Em 2019, a expectativa do governo -baseada em dados da Petrobras- é que haverá excedente de 2,2 bilhões de barris/dia para exportação -volume superior à produção atual, de 2 bilhões de barris.

Atualmente, o Brasil é autossuficiente na produção de petróleo. Ou seja, produz em óleo bruto o mesmo volume do consumo de derivados de petróleo (combustíveis e outros). Tem excedentes em alguns produtos, como gasolina e óleo combustível, e importa outros como diesel e querosene de aviação.

Hoje, a Petrobras busca no exterior óleo leve e vende petróleo pesado, pois as refinarias são antigas e adaptadas ao óleo importado.

Em 2010, o Brasil exportou US$ 4,1 bilhões aos EUA em petróleo e toda a cadeia de derivados. Importou do país US$ 4,7 bilhões. Em 2009, quando o comércio entre os países foi afetado pela crise, as importações brasileiras haviam sido de US$ 2,1 bilhões, abaixo do valor das exportações (US$ 2,6 bilhões).

Um dos motivos para as importações mais que dobrarem (alta de 124%) de 2009 para 2010 é a alta do real. Já as exportações cresceram 64% de um ano para o outro.



Por: Pero Soares
Fonte: Folha de Sao Paulo



Brasil Nuclear: A Eletronuclear rejeita alterar o cronograma de Angra 3

Os problemas apresentados pelo complexo nuclear japonês de Fukushima 1 a partir do terremoto seguido de tsunami, no dia 11, ainda não geraram nenhuma perspectiva de alteração no projeto e nem no cronograma da usina de Angra 3, a única atualmente em construção no Brasil. "Hoje nada do que aconteceu aponta para a necessidade de mudança de projeto. Portanto, segue tudo como antes", disse ao Valor Luiz Soares, diretor técnico da eletronuclear, a estatal responsável pela construção e operação da usina. Angra 3 tem previsão de operar em 2014.
Está previsto para o próximo mês o lançamento da licitação para a montagem eletromecânica e dos serviços de engenharia da usina. Atualmente a obra está na etapa de construção civil, com cerca de 10% dos serviços, já executados, segundo a eletronuclear. A obra está sendo executada pela construtora Andrade Gutierrez, vencedora da licitação realizada no começo da década de 1980 e ainda em vigor. A obra foi parada em 1986.

Executivos da indústria nacional de equipamentos para a usina seguem acompanhando de perto os acontecimentos do Japão, mas ainda não preveem mudanças no andamento dos seus contratos. O que existe hoje contratado para a usina também vem de licitações realizadas há quase 30 anos e que permanecem em vigor. A Bardella vai construir as pontes rolantes, a Confab fará vários equipamentos, incluindo comportas, eclusas, trocadores de calor e vasos de pressão, a Ebse Soluções Integradas fornecerá os tubos de aço carbono e a estatal Nuclep deverá fazer os condensadores e acumuladores.

Segundo Marcelo Bonilha, diretor-superintendente da Ebse, novo contrato da empresa, já adequado à realidade atual da obra, foi assinado em janeiro deste ano, mas como ainda não foi licitada a montagem eletromecânica, ainda não há cronograma para a entrega dos tubos.

Para Ronaldo Fabrício, diretor da Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Nucleares (Abdan), não há, a princípio, razão para mudanças no que vem sendo feito no Brasil.



Fonte: Valor Online

segunda-feira, 14 de março de 2011

Aumentam os conflitos na capital da Costa do Marfim


Combatentes leais a Alassane Ouattara, internacionalmente reconhecido como presidente da Costa do Marfim, se dirigiram para território hostil nesta segunda-feira, 14, atacando um distrito leal a Laurent Gbagbo, que se recusa a deixar o poder. Os conflitos voltaram a ocorrer na capital marfinense e agravam a crise política da nação africana.

Moustapha Bakayoko, morador do bairro Yopougon, na capital Abidjã, disse que fortes confrontos tiveram início na manhã perto da casa do chefe do exército, Philippe Mangou, que se manteve leal a Gbagbo desde o início da crise, quando ele se recusou a deixar o cargo depois de perder a eleição, em novembro.

Um porta-voz do exército de Gbagbo, coronel Hilaire Gohourou, confirmou a batalha em Yopougon, mas se recusou a dar maiores detalhes. A casa de Mangou foi bastante atingida, porque os soldados a tem usado como ponto de ataque a partidários de Ouattara, disse Sitafa Ouattara, integrante da oposição.

O ataque desta segunda foi o primeiro no interior de um bairro de Abidjã que votou em Gbagbo e mostra que os combatentes, que se autodenominam "comandos invisíveis", estão indo para o sul, na direção do palácio presidencial de Gbagbo.

"Nós não vamos remover Gbagbo pela força, isso é o que os militares têm de fazer", disse um combatente. "Estamos simplesmente combatendo para proteger a população da polícia, que tem cometidos assassinatos indiscriminadamente".

O impasse eleitoral se transformou em sangrentas batalhas de rua e a Costa do Marfim esta à beira de uma guerra civil. Pelo menos sete mulheres foram mortas por policiais leais a Gbagbo no distrito de Abobo no último dia 3, quando elas protestavam e pediam o fim da violência, que segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) já deixou quase 400 mortos.

Meses de negociações diplomáticas não conseguiram persuadir Gbagbo a deixar o poder e nas últimas semanas os partidários de Ouattara lançaram operações militares no oeste da Costa do Marfim, tomando quatro cidades na região.

Na semana passada, a União Africana reforçou a vitória de Ouattara ao confirmá-lo como o presidente legal do país e dizendo que a mais alta corte marfinense deve empossá-lo. Aliados de Gbagbo rejeitaram a decisão, dizendo que ela não respeita a Constituição do país.



Fonte: Associated Press

Protestos violentos deixam 3 soldados mortos no Iêmen


Confrontos espalhados por várias partes do Iêmen nesta segunda-feira, 14, causaram a morte de três soldados no norte do país, enquanto forças militares foram mobilizadas para controlar as manifestações que exigiam a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh.

O empobrecido país da Península Arábica tem sido abalado por semanas de protestos que ameaçam o governo de 32 anos de Saleh, com manifestantes pró e anti-governo usando cada vez mais a violência nos confrontos.

Sete manifestantes e três soldados morreram desde sábado, aumentando o número de mortes nos protestos para mais de 30.
Os Estados Unidos, que há muito tempo consideram Saleh um aliado contra o braço da Al Qaeda no Iêmen, condenaram o derramamento de sangue e apoiaram o direito ao protesto pacífico, mas insistiram que apenas o diálogo poderá por fim à crise política.


execução

Dois soldados e um oficial morreram em confrontos na província de al-Jawf, que faz fronteira ao norte com a gigante do petróleo Arábia Saudita, segundo a agência de notícias estatal do Iêmen Saba.
Os combates se intensificaram depois que manifestantes invadiram um prédio municipal. Forças de segurança atiraram contra eles, ferindo 10 pessoas, mas não conseguiram impedir que tomassem o controle do prédio, disseram autoridades locais.

Na província central de Maarib, onde estão localizados diversos campos de petróleo e gás natural de empresas internacionais, o governador Naji Zayedi foi esfaqueado enquanto tentava dispersar, junto com a polícia, uma greve de milhares de pessoas.


Fonte: Reuters